Liderada pelo estado da Califórnia, a aliança jurídica é composta por uma forte frente de procuradores-gerais que reúne os estados de Arizona, Califórnia, Colorado, Connecticut, Massachusetts, Minnesota, Nevada, Nova Jersey, Novo México, Nova York, Oregon e Washington.
Os estados solicitam oficialmente à Justiça que a Paramount suspenda e adie a conclusão definitiva do negócio até o julgamento final do processo.
Os Argumentos dos Estados: Riscos ao Consumidor e à Concorrência
Os procuradores-gerais sustentam que a união de duas das maiores forças do cinema, streaming e televisão gerará uma concentração nociva de mercado. Entre os principais pontos de preocupação apontados no processo judicial estão:
- Domínio no Cinema: Caso a fusão seja concluída, a nova companhia passará a controlar 27% do mercado de distribuição de filmes nos EUA. Esse número sobe para 30% quando analisados apenas os blockbusters (produções de grande orçamento). Junto a Disney, Universal e Sony, apenas quatro distribuidoras passariam a controlar mais de 90% das bilheterias do país.
- Impacto na TV por Assinatura: A empresa combinada passaria a deter 27% dos canais básicos de TV paga norte-americanos, aumentando de forma desproporcional o seu poder de negociação e podendo encarecer as assinaturas para os consumidores.
- Prejuízos Práticos: A petição alega que a menor concorrência resultará inevitavelmente em ingressos de cinema mais caros, aumento nos planos de TV e streaming, redução no volume de lançamentos anuais e menor diversidade de conteúdo disponível ao público.
A disputa ganha fortes contornos políticos. O acordo tem sido duramente criticado por parlamentares democratas em Washington e por sindicatos de Hollywood (composto por atores, diretores e roteiristas).
Parte da desconfiança gira em torno das conexões políticas da transação. O pai do CEO da Paramount, David Ellison, o bilionário Larry Ellison, cofundador da Oracle, possui relações muito próximas com o presidente Donald Trump, e a Paramount chegou a contratar ex-integrantes do governo Trump para sua equipe.
Além disso, a fusão uniria sob o mesmo guarda-chuva duas gigantes do jornalismo e da cobertura de notícias: a CNN (da Warner) e a CBS News (da Paramount), levantando alertas de críticos e entidades de classe sobre possíveis interferências políticas e editoriais nas redações em um momento de consolidação de mídia.
Prazos Apertados e Consequências Financeiras
A batalha judicial nos tribunais estaduais cria um obstáculo crítico para o cronograma traçado pelas empresas, ameaçando a promessa de David Ellison de concluir a fusão até 30 de setembro de 2026 e impondo o risco de a Paramount pagar uma robusta taxa trimestral de US$ 650 milhões (cerca de R$ 3,3 bilhões) aos acionistas da Warner Bros. Discovery caso o processo atrase e passe de outubro, um prolongamento que, segundo alertas públicos da própria Paramount, pode forçar a renegociação de todo o financiamento da operação, gerar incertezas no valor das ações e, no limite, levar ao cancelamento definitivo da transação.
Em resposta à ação dos estados, a Paramount se posicionou firmemente, rebatendo as acusações ao afirmar que o processo judicial “distorce a jurisprudência consolidada em matéria antitruste”. A empresa defende que a fusão é estratégica para criar uma concorrente robusta o suficiente para enfrentar o domínio global de gigantes como Netflix e Disney, e que o estúdio combinado assumiu o compromisso público de lançar pelo menos 30 filmes por ano nos cinemas.


