Embora a transação bilionária tenha avançado de forma significativa em território americano — incluindo o sinal verde da Divisão Antitruste do Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) —, o cenário internacional começou a impor barreiras. A Secretaria de Cultura e Mídia britânica indicou que o governo pretende intervir com base em preocupações antitruste e no impacto que a união de dois gigantes desse porte teria sobre a pluralidade de mídia e a concorrência no mercado do Reino Unido.
O papel da CMA (Autoridade de Concorrência do Reino Unido)
A análise técnica do caso está sob o comando da CMA (Competition and Markets Authority), o temido órgão regulador do Reino Unido.
- A Investigação: A CMA já abriu uma apuração formal para avaliar se o novo conglomerado prejudicará os consumidores locais e a competitividade do setor audiovisual na região.
- O Histórico de Rigor: O mercado lembra que a CMA ganhou fama de ser o maior calcanhar de Aquiles das grandes fusões recentes; o órgão quase ruiu a compra da Activision Blizzard pela Microsoft, forçando a gigante da tecnologia a ceder os direitos de streaming em nuvem na região para obter aprovação. O mesmo nível de exigência rígida é esperado agora para a união das donas da HBO, CNN, CBS e Nickelodeon.
O posicionamento britânico acendeu o sinal de alerta na Paramount, liderada por David Ellison, que agora corre contra o relógio para cumprir o cronograma público de fechar o acordo até o dia 30 de setembro de 2026, enfrentando punições severas caso a burocracia internacional atrase o processo, como o pagamento de uma taxa de compensação de 25 centavos por ação a cada trimestre de atraso aos acionistas da Warner Bros. Discovery, além do risco iminente de o negócio colapsar inteiramente por impedimentos regulatórios, o que obrigaria a Paramount a pagar uma robusta multa de rescisão de US$ 7 bilhões à WBD.
O Posicionamento das Empresas
Apesar do anúncio do governo britânico, os executivos envolvidos tentam acalmar os investidores. Em nota oficial, um porta-voz da Paramount afirmou que a empresa continuará cooperando de maneira construtiva com a CMA e as demais autoridades internacionais, reforçando a convicção de que a fusão não apresenta riscos reais à pluralidade de mídia e mantendo a confiança de que o cronograma original estabelecido será cumprido.


