A decisão marca uma mudança de postura importante para a categoria, que até então não havia adotado um posicionamento definitivo em relação à aquisição de US$ 111 bilhões. A deliberação da diretoria foi tomada após extensas consultas com advogados, executivos de estúdios, outros sindicatos do setor e representantes do Departamento de Justiça dos EUA (DOJ).
Em comunicado conjunto assinado pelo presidente do SAG-AFTRA, Sean Astin, e pelo diretor executivo nacional, Duncan Crabtree-Ireland, a liderança do sindicato dos atores reforçou a necessidade urgente de proteger o ecossistema de produções norte-americano. Para isso, a resolução recém-aprovada exige salvaguardas aplicáveis contra a redução do volume de produções pelos estúdios, estabelecendo a garantia de um percentual mínimo de projetos realizados diretamente no território dos Estados Unidos.
Além dessas exigências, o posicionamento do SAG-AFTRA formaliza seu apoio público às ações judiciais movidas pelo WGA (Sindicato dos Roteiristas) e por uma coalizão de procuradores-gerais estaduais para barrar o negócio. A gravidade da situação foi sintetizada nas palavras do próprio presidente Sean Astin, ao declarar que “esta não é uma conversa sobre valor para os acionistas, é sobre a sobrevivência do negócio do entretenimento na América”.
O Cenário Judicial e os Obstáculos para o Acordo
Embora a fusão tenha recebido aprovação do Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) e da União Europeia, o processo enfrenta resistência jurídica relevante no país:
- Bloqueio Estadual: Uma ação antitruste liderada pelo procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, e apoiada por outros 11 estados obteve uma liminar para suspender a conclusão da aquisição. Os estados argumentam que a união entre os estúdios gera um poder anticompetitivo no mercado de blockbusters e de TV a cabo.
- Processo do WGA: O Sindicato dos Roteiristas abriu seu próprio processo paralelo para barrar a transação no Tribunal Distrital do Norte da Califórnia, alegando que a consolidação resultará na redução de empregos, corte de custos e diminuição salarial da categoria.
- Calendário Adiado: Diante das ações na justiça, a expectativa inicial da família Ellison (proprietária da Skydance) de fechar o negócio no terceiro trimestre foi paralisada, empurrando o julgamento e o eventual desfecho para o ano de 2027.


